sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sorria, você está sendo manipulada!



Raíza Wallace Guimarães da Rocha
Desde os primórdios desta sociedade do patriarcado capitalista não é difícil perceber a visão estereotipada que existe sobre o corpo e sexualidade feminina. Mas é no início do século XX que teremos uma nova visão sobre o corpo, pautada pela dinâmica social, sob a lógica de mercantilização da vida.

É a partir desse período que se fortalecem as práticas sociais de exploração para fins lucrativos do corpo feminino, onde a mercantilização resulta na exibição irresponsável da nudez e corpos idealizados para vender qualquer produto. Além de estabelecer padrões hegemônicos de beleza, levando as mulheres a buscar a perfeição e juventude eterna, ou seja um padrão inatingível, já que os modelos de beleza tornam-se perecíveis e efêmeros. 

Os métodos da ditadura da beleza e padrões comportamentais sob a mulher são os mesmos há séculos, só que adaptados a partir da lógica capitalista e ideologia neoliberal. Eles mudam segundo o tempo e ordem mercadológica. Antes o objetivo era que as mulheres conseguissem um bom casamento e permanecessem no espaço privado destinado a elas, hoje esse processo está sob a óptica consumista e continua perpetuando seus papéis relacionados ao mundo privado. O mercado passa a ter um papel incisivo na subordinação da vida destas mulheres. 

Agora que as mulheres estão no mercado de trabalho elas passam a valorizar e investir mais no seu corpo. Já que nesse mundo de competição a beleza ajuda a conquistar mais espaços ao preço de rígidas exigências de si. Ela precisa estar agradável aos olhos dos outros. Por tanto exige de si estar maquiada, magra e elegante o tempo inteiro, pois somente assim conseguirá ser feliz. 

Esse padrão corporal reflete o contexto sócio-econônimo, cultural e político do aparelho ideológico e da nossa sociedade, que se mostram controladores e opressores. Impondo a nós a ideia de que o nosso potencial está relacionado à forma, logo, a nossa forma corporal traduz quem somos. O nosso corpo passa a ser uma espécie de passaporte para felicidade. 
 

A indústria farmacêutica se confunde com a de estética e o resultado disso é a banalização de remédios, cirurgias, etc. que leva as mulheres a graves riscos de saúde: como bulimia, anorexia, depressão, consumo descontrolado de remédios, que enriquecem essas indústrias ao comercializar os produtos ditos “milagrosos” e outros para amenizar efeitos colaterais de possíveis sequelas. Garantindo assim um crescimento exponencial do consumo e produção dessas mercadorias. A incorporação desses ideais de beleza tornam o corpo um objeto de design a ser modelado sem muito esforço por parte da cliente.


O corpo mercantilizado da mulher sofre uma ampla exploração e é necessário que possamos refletir a respeito da autonomia do nosso corpo diante da ideologia neoliberal e lutarmos pelo pertencimento dele. Você não precisa ficar nesse ciclo de eterna insatisfação com o seu corpo. Não seja mais uma manipulada, boicote esses produtos e pessoas que se utilizam de um discurso machista e leviano em detrimento da exploração da imagem feminina. Liberte-se dessa lógica de mercado mecanicista e utilitarista. Somos mulheres e não mercadoria!


Raíza Rocha é estudante de Terapia Ocupacional, militante do Coletivo Feminista Conceição Evaristo e da Marcha Mundial de Mulheres.


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