segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Consumo e sexismo no dia das crianças

*Raíza Wallace Guimarães da Rocha

Esse seria um excelente dia para os pais passarem mais tempo com seus filhos e filhas, brincando e ensinando a importância de viver coisas típicas da infância. E não incentivando a ser adultos mirins, sexistas e consumistas compulsivos.
 
Como estudante de Terapia Ocupacional, reconheço a importância do brincar para o desenvolvimento sócio psicomotor da criança. Porque sei que é através do brincar que ela vai desenvolvendo habilidades motoras, sensoriais, cognitivas, SOCIAL e emocional. E por isso acho essencial que tenhamos cuidado com os brinquedos que damos a essas crianças.

Você já reparou se os brinquedos que você está comprando não estão impondo padrões comportamentais sexistas?
 
Você dá bonecas, joguinho de panela, Barbie, fogãozinho, batedeira, bebezinhos, para as meninas. E os caminhões, carros, bola, monstros, para os meninos. E depois nem desconfia o motivo pelo qual sua filha cresce achando que nasceu pra ser mãe, que fazer os serviços domésticos é uma responsabilidade somente sua, que precisa investir em sua 'beleza', só por ter nascido mulher. 
Enquanto seu filho acha que precisa gostar de futebol, odiar rosa, ser o motorista (sim, porque mulher no volante é perigo constante, não?), não pode gostar de bonecas e nem fazer trabalhos domésticos.
 
As propagandas de brinquedos direcionadas às crianças incentivam um consumo exacerbado e esteriótipos retrógrados. As meninas querem ser princesinhas, que usam salto alto, maquiagem, não brincam de correr, querem um celular, precisam ser magras e ter cabelo liso como a Barbie (ou seja, a menina que é negra, gorda e tem o cabelo afro, se rejeita e é rejeitada... Não é a toa que vemos milhares de meninas alisando o cabelo e fazendo dietas malucas para sentirem-se 'bonitas'). Já os meninos querem jogar video-game, futebol, jogos bélicos,etc. A ideia de poder, força e vitória é direcionada a eles, enquanto que maternidade, sonhos e beleza estética são predominantes em anúncios para meninas.

As crianças almejam ser como as das propagandas, tanto no aspecto estético, quanto no fato de terem todos os brinquedos à sua disposição e refeições à base de fast-food (imagina o impacto disso para uma criança pobre?). É aí que surge uma lógica consumista que modela as relações da criança consigo e com o mundo. Então inicia-se a assimilação de que a felicidade está associada ao consumo e uma falsa necessidade.

Precisamos contestar esses hábitos sexistas, que são resultados de uma manipulação silenciosa. Não compre produtos com propagandas sexistas ou que estimule isso. Não incentive o consumo exacerbado. Será que essa criança realmente precisa de brinquedos novos?

Até quando você transformará o brincar, que deve ser uma experiência emancipatória, em uma prática nociva e reprodutora de esteriótipos e padrões sociais? Precisamos refletir sobre os impactos disso na condição da mulher, na representação das relações no interior da família, nos sonhos e relações sociais... Ou continuar com essa venda nos olhos, achando que o machismo e sexismo são coisas inatas. 

 
* Estudante de Terapia Ocupacional, militante da Marcha Mundial das Mulheres e do Coletivo Feminista Conceição Evaristo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Relatoria reunião 18/9/11

Relatoria
Reunião do Coletivo Feminista Conceição Evaristo – 18/09/11

Presentes:
Iúna Gabriela
Raíza Guimarães
Débora Accioly
Cynthia Funchal


Informes:
Cynthia – Cris me ligou dizendo que o ENUDs não irá mais acontecer este ano, e foi adiado para o ano que vem antes do carnaval. Levando em consideração que isso afeta a data escolhida para o seminário de formação (que iria ocorrer na data do ENUDs), acho importante a gente marcar outra reunião para discutir o seminário.

Pauta:
- Discussão de como e o que seria o material didático;
- Estabelecimento de datas e ações.

Discussão sobre o material didático

Colocações feitas pela Cindy através da lista de e-mails: Acho que devemos fazer uma coletânea de propostas para aulas, com indicações de filmes, livros. Podemos na parte de literatura, fazer um apanhado dos períodos literários de como era a situação da mulher, para que sempre que fosse trabalhada certa escola literária, a situação da mulher fosse falada. Minhas propostas dentro da pauta:

- Discussão de como e o que seria o material didático;
 Planos de aula e suporte para os conteúdos a serem trabalhados nas aulas de LP e literatura. Para as aulas de LP, podemos pegar textos, propor questões de analise linguística, e somado a isso falar da questão da mulher, propor projetos, trabalhos que possam fazer os/as meninos(as) pensarem e refletirem. Na parte de literatura, podemos fazer tópicos para serem comentados e abordados em cada período literário, de como era tratada a mulher na literatura e na sociedade. Essa parte da literatura eu vou ajudar a fazer.

- Estabelecimento de datas e ações.
Confesso que no final desse mês vai estar bem complicado pra mim, pq é final d bimestre, correção de prova, soma de notas .... Mas no começo de outubro, sugiro que ja podemos começar a produzir entre os grupos que ficaram responsáveis por cada parte, e acho que no  final do ano o material deve estar pronto. Acho também que podíamos lançá-lo oficialmente em algum encontro, pode ser da exnel ou não.

Débora:  Eu quero saber se vocês não acham que a gente tá atropelando e juntando tarefas. Ao meu ver, essa parada de material didático é importantíssima e poderia até ser um encaminhamento concreto no nosso encontro. Acho também que antes de fecharmos o seminário não deveríamos abarcar coisas que vão acabar comprometendo muito.Até porque o espaço de formação nos daria essa maturidade de, inclusive, sabermos quem somos, quantas somos, etc..

Cynthia: Por mais que eu acredite ser importante termos esse material o quanto antes, concordo com a Débora. Acredito que o seminário seja o espaço ideal para ainda discutirmos mais a fundo a produção do material, além de nos dar mais tempo para trabalharmos nele e em outras coisas do Coletivo também. Mas isso também não impede que a gente já se adiante um pouco no que pretendemos fazer, como, por exemplo, juntar ideias e conteúdo para incluir no material, alguns textos já prontos, para que a gente discuta no seminário e já tenha isso pronto antes do início do próximo ano, pois aí já temos o que disponibilizar no início das aulas no ano que vem.

Débora: Proponho que a gente priorize o seminário, marcando uma reunião o quanto antes, porque temos que correr atrás de uma data que contemple a maioria, temos que correr atrás de passagem, de ajuda de custo, de preparação do material de estudo do seminário.

Encaminhamentos:
- Adiar a criação desse material para ser discutido mais a fundo durante o seminário.

Estabelecimento de datas e ações

Raiza: Temos que fazer algo para agregar mais pessoas ao nosso coletivo feminista. Precisamos de apoio. Podíamos tirar como encaminhamento, por exemplo, que no dia 25 de novembro (dia internacional da não-violência contra a mulher) façamos uma roda de conversa na universidade.  Coisas do tipo, pra ir promovendo o debate e divulgando o coletivo feminista. Fica mais fácil de atuar quando não estamos sozinhas. Então, acho que rola de marcarmos as datas principais em que iremos atuar inicialmente e pedir ajuda aos centros acadêmicos pra tocar essas atividades. Depois acho que já teremos condições de tocar sozinhas. A temática seria violência contra a mulher (25 de novembro). Depois do debate, podíamos criar um texto e postar no blog, cada região tem uma especificidade a respeito disso, então acho que rola vários textos a respeito.

Encaminhamentos:
- Pensar em temáticas para discussão em datas importantes para o movimento feminista, com o apoio de textos e materiais e a ajuda dos Centros Acadêmicos
- Próxima reunião para discutir o encontro de formação: Domingo, 25 de setembro, às 20h.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sorria, você está sendo manipulada!



Raíza Wallace Guimarães da Rocha
Desde os primórdios desta sociedade do patriarcado capitalista não é difícil perceber a visão estereotipada que existe sobre o corpo e sexualidade feminina. Mas é no início do século XX que teremos uma nova visão sobre o corpo, pautada pela dinâmica social, sob a lógica de mercantilização da vida.

É a partir desse período que se fortalecem as práticas sociais de exploração para fins lucrativos do corpo feminino, onde a mercantilização resulta na exibição irresponsável da nudez e corpos idealizados para vender qualquer produto. Além de estabelecer padrões hegemônicos de beleza, levando as mulheres a buscar a perfeição e juventude eterna, ou seja um padrão inatingível, já que os modelos de beleza tornam-se perecíveis e efêmeros. 

Os métodos da ditadura da beleza e padrões comportamentais sob a mulher são os mesmos há séculos, só que adaptados a partir da lógica capitalista e ideologia neoliberal. Eles mudam segundo o tempo e ordem mercadológica. Antes o objetivo era que as mulheres conseguissem um bom casamento e permanecessem no espaço privado destinado a elas, hoje esse processo está sob a óptica consumista e continua perpetuando seus papéis relacionados ao mundo privado. O mercado passa a ter um papel incisivo na subordinação da vida destas mulheres. 

Agora que as mulheres estão no mercado de trabalho elas passam a valorizar e investir mais no seu corpo. Já que nesse mundo de competição a beleza ajuda a conquistar mais espaços ao preço de rígidas exigências de si. Ela precisa estar agradável aos olhos dos outros. Por tanto exige de si estar maquiada, magra e elegante o tempo inteiro, pois somente assim conseguirá ser feliz. 

Esse padrão corporal reflete o contexto sócio-econônimo, cultural e político do aparelho ideológico e da nossa sociedade, que se mostram controladores e opressores. Impondo a nós a ideia de que o nosso potencial está relacionado à forma, logo, a nossa forma corporal traduz quem somos. O nosso corpo passa a ser uma espécie de passaporte para felicidade. 
 

A indústria farmacêutica se confunde com a de estética e o resultado disso é a banalização de remédios, cirurgias, etc. que leva as mulheres a graves riscos de saúde: como bulimia, anorexia, depressão, consumo descontrolado de remédios, que enriquecem essas indústrias ao comercializar os produtos ditos “milagrosos” e outros para amenizar efeitos colaterais de possíveis sequelas. Garantindo assim um crescimento exponencial do consumo e produção dessas mercadorias. A incorporação desses ideais de beleza tornam o corpo um objeto de design a ser modelado sem muito esforço por parte da cliente.


O corpo mercantilizado da mulher sofre uma ampla exploração e é necessário que possamos refletir a respeito da autonomia do nosso corpo diante da ideologia neoliberal e lutarmos pelo pertencimento dele. Você não precisa ficar nesse ciclo de eterna insatisfação com o seu corpo. Não seja mais uma manipulada, boicote esses produtos e pessoas que se utilizam de um discurso machista e leviano em detrimento da exploração da imagem feminina. Liberte-se dessa lógica de mercado mecanicista e utilitarista. Somos mulheres e não mercadoria!


Raíza Rocha é estudante de Terapia Ocupacional, militante do Coletivo Feminista Conceição Evaristo e da Marcha Mundial de Mulheres.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Violência Doméstica – de gol e de porrada

(5’08” / 1,18 Mb) – Domingo de sol. Time em campo. Televisão ligada. Cerveja gelada. E, de repente, um gol anulado. Raiva e gritos, berros, e não falta para ninguém. Cachorro e mulher apanham juntos.

João Bosco e Aldir Blanc, fazendo a arte imitar a vida, imortalizaram essa cena nos versos de “Gol Anulado”, que Elis Regina canta tão bem: “Quando você gritou, Mengo!, no segundo gol do Zico, tirei sem pensar o cinto e bati até cansar”.

A música popular brasileira está repleta de exemplos de mulher que apanha porque o time ganha, porque o time perde, porque ela diz ama, porque ela não quer mais, porque ela quer demais. Porque ela é bonita, porque ela é feia. Porque ela chora ou ri. Não faltam sambas a dizer que a “mulher é um jogo, difícil de ganhar, e o homem como um tolo não se cansa de jogar.”

A despeito de todas as mudanças do último século XX, de movimentos feministas, do mercado de trabalho pleno de mulheres, estas, no Brasil, estão, ainda, na marca do pênalti da violência que ocorre dentro de casa, no sacrossanto lar, no qual as paredes não falam e só ouvem, mudas, os gritos de dor. Vizinho não se mete em bronca de marido e mulher e tem até delegado de Polícia que acha que mulher, no fundo, no fundo - porque será? - gosta de apanhar!

A violência doméstica faz vítimas diárias, pelo Brasil afora. Diz à estatística que são dez mulheres assassinadas por dia. A cada 24 segundos de cada dia, uma mulher brasileira está levando supapo do marido, de seu homem, do amante, do ex, do atual, do chefe do lar; porrada de graça, por graça, porque é mulher.

Faz cinco anos que o legislativo brasileiro criou uma lei, palavra por palavra, mostrando que o problema é sério e que é preciso solução. Criamos o Pacto Nacional pelo Enfrentamento a Violência Contra a Mulher e necessitamos, todos, homens e mulheres, exigir que o Estado cumpra tal pacto, incremente políticas de cuidados à família, para que homem e mulher possam realizar uma composição de respeito, de reconhecimento de que são sujeitos de direito e de deveres de afeto.

A chamada Lei Maria da Penha veio para afastar homem violento da mulher vítima, tentar estancar o gesto bruto e aliviar a dor do corpo e a dor da alma. E, com a lei posta no papel, há que fazê-la funcionar. Para isso, é preciso ter delegacia da mulher, delegada mulher para compreender o choro, ver o olho roxo, a marca mais funda. E é preciso um Poder Judiciário ferramentado para ser rápido e eficiente. Cabe ao Estado, num primeiro momento, proteger a mulher e depois, mais que punir, orientar o homem.

A família desfeita precisa de cuidados. Estão todos feridos. Um pela dor da violência na pele, outro pela dor da violência nas mãos brutas. São Paulo vai instalar e fazer funcionar, nos próximos dias duas Varas Especializadas em violência doméstica. São serviços urgentes e necessários e sabem-se já insuficientes para a imensa população que busca a justiça. É preciso mais, é preciso que setores do estado funcionem para que tudo seja mais direito que torto, mais justo que injusto, menos violento e mais pacífico.

Se houver dignidade e respeito para a criança e para o jovem, se houver um crescer amoroso dentro da família e longe da miséria, menino não vira homem violento por nada, e menina não vira mulher que vai ficar para ver onde o tapa dói. A espiral da violência começa em casa e acaba na rua. É preciso fazer cessá-la. É preciso dar uma chance para o afeto e para o amor. Senão, fica-se como na música: fim de jogo, fim de dia, o “radio está desligado, como se irradiasse o silêncio do amor terminado” e, com mágoa ressentida se aprende “que a alegria de quem está apaixonado é como a falsa euforia de um gol anulado”.

Dora Martins é integrante da Associação Juízes para a Democracia.

19/07/11

http://www.radioagencianp.com.br/9980-Violencia-Domestica-de-gol-e-de-porrada

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Carta Manifesto da Marcha das Vadias - Belém


A Slut Walk ou Marcha das Vadias teve inicio no Canadá em resposta a conduta machista de um policial.  Este declarou que as mulheres eram vítimas de ataques sexuais, pois se “vestiam como vagabundas”. A partir do fato, inúmeras manifestações surgiram em todo o mundo. No Brasil, a cidade de São Paulo foi a primeira capital brasileira a organizar a Marcha, seguidas das cidades do Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Brasília, Salvador e outras.

As mulheres saíram às ruas com o objetivo de reafirmar a autodeterminação sobre os seus corpos e para combater essa sociedade que as educa para não serem estupradas, porém não ensina a NÃO estuprar.

Agora é a nossa vez de sair às ruas em Belém!
 
Marcharemos para combater a violência cometida contra as mulheres no nosso Estado! As estatísticas provam que, hoje o Pará é o terceiro estado no ranking de queixas de violência contra a mulher, são mais de 237 queixas a cada 50 mil mulheres paraenses. Somando um total de mais de quinze mil queixas em menos de seis meses.
 
A MARCHA DAS VADIAS acontecerá, pois somos chamadas de vadias todos os dias por usarmos roupas curtas, por transarmos antes do casamento e por lutarmos pelos nossos direitos. Já fomos chamadas de vadias por sermos divorciadas, por simplesmente dizer “não” a um homem, e ainda hoje somos chamadas de vadias por sofrermos estupro. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.

 Chamam-nos de vadias por ousarmos desafiar essa lógica pré-estabelecida imposta por uma cultura de subordinação e moldada sobre os alicerces patriarcais de nossa sociedade. Somos protagonistas basilares das conquistas de todos os nossos direitos e de instrumentos importantes de combate a violência. Entretanto, alterar as leis, criar mecanismos de proteção ainda não dissipou o “costume” de matar, abusar, explorar suas companheiras, esposas, filhas, irmãs... Mulheres. 

  Por isso nós marchamos!

  Pela prevenção da violência, por posições igualitárias e incondicionais, pelo direito a voz e ao grito, pelo domínio de nossas vidas, pelo direito de ir e vir com segurança, pelo direito de dizer SIM ou NÃO sem sofrermos qualquer tipo de rotulação.

  Marchamos por respeito, não somos mercadorias e nossos corpos não são objeto de prazer e consumo dos homens. Somos contra a lógica da cultura do estupro e contra as piadas que acabam reforçando e naturalizando tal conduta.

 Nós marchamos pois infelizmente a violência contra as mulheres é um fenômeno mundial e atinge a todas, em todas as idades, raças e classes sociais, que sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica, psicológica, física ou sexual.

 Tomaremos as ruas para sermos reconhecidas como MULHERES, como pessoas LIVRES e IGUAIS. 
Somos fortes, somos livres, somos donas de nós mesmas, somos santas e putas. Somos vadias e vagabundas, Temos o direito de agir, de nos vestir e de nos expormos do jeito que desejarmos. Somos mães e trabalhadoras. Somos estudantes. Somos LIVRES!
 
  E a partir de agora, mexeu com uma; mexeu com todas!

Informações
Quando?
28 de agosto

Onde?
Em Belém, saída na escadinha da Doca
Que horas?
Às 9h

VEM PRA LUTA!

domingo, 24 de julho de 2011

Marcha das Margaridas 2011

2011 razões para marchar por: desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade!

Dias 16 e 17 de agosto em Brasília.




http://www.contag.org.br/hotsites/margaridas/


Caderno de textos para debates: clique aqui.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

É preciso olhar com os olhos de mulher, e mulher de LUTA!

*Iúna Gabriella Paiva
É recente a história de ocupação pelas mulheres do poder. Quando se diz “poder”, refere-se ao ato bruto da palavra, que significa deliberar e agir.

 Até pouco tempo, não podíamos votar, estudar, e éramos mais reprimidas quando nos desviávamos da ordem dominante: a sociedade do patriarcado.


Muita coisa mudou, adquirimos mais direitos, mas ainda somos minoria e continuamos sendo oprimidas em todos os espaços das relações capitalistas e ainda brutalmente centenas de nós é massacrada todos os dias.


E por que isto acontece? Tudo parte ainda do conceito de “luta de classes” a qual Marx se refere, no qual existem os opressores e os oprimidos, e que se expressa em diversos espaços da sociedade.


Mesmo com tudo isto, estamos constantemente ocupando cada vez mais cargos de poder na sociedade. Mas a ocupação crescente destes cargos vem trazendo várias problematizações. Realmente aumentamos o número de cargos em empregos ocupados por mulheres, mas em contrapartida, as mulheres são as que trabalham em piores condições de emprego; ganham menos; ocupam mais cargos de atividades informais; e possuem jornada tripla: casa, família e emprego.


Quando se diz que é necessário se olhar para a mulher com os olhos de mulher, é preciso haver uma identidade com a luta das mulheres. É preciso que as mulheres que chegam ao poder e que podem pensar e planejar maneiras de uma igualdade plena de direitos vejam seus cargos como ocupados pela luta de diversas mulheres massacradas desde que o mundo se fez mundo.


Ainda inseridas na problematização puxada através da luta de classes, é necessário ter a noção de que a mulher branca é muito menos discriminada que a negra; que o papel de educar o filho, ainda cabe à mulher; que há um disparate enorme de escolaridade no que diz respeito às mulheres do campo e da cidade; que por influência do fator social os cargos mais ocupados por mulheres são do setor público; que as mulheres são mais pobres que os homens; e que do seu corpo ainda se sentem dono, o estado, as instituições religiosas e as próprias famílias dominadas por pensamento de homens.


É preciso que as mulheres que ocupem o poder façam desse espaço mais um espaço de atuação da luta das mulheres, e que identificadas com a luta, passem a construir ações conjuntas com os movimentos sociais que lutam pelo fim da opressão à mulher.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!


* Estudante de Letras da UESPI, militante feminista do Coletivo Feminista Conceição Evaristo e da Executiva Nacional dos Estudantes de Letras.