segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Relatoria reunião 18/9/11

Relatoria
Reunião do Coletivo Feminista Conceição Evaristo – 18/09/11

Presentes:
Iúna Gabriela
Raíza Guimarães
Débora Accioly
Cynthia Funchal


Informes:
Cynthia – Cris me ligou dizendo que o ENUDs não irá mais acontecer este ano, e foi adiado para o ano que vem antes do carnaval. Levando em consideração que isso afeta a data escolhida para o seminário de formação (que iria ocorrer na data do ENUDs), acho importante a gente marcar outra reunião para discutir o seminário.

Pauta:
- Discussão de como e o que seria o material didático;
- Estabelecimento de datas e ações.

Discussão sobre o material didático

Colocações feitas pela Cindy através da lista de e-mails: Acho que devemos fazer uma coletânea de propostas para aulas, com indicações de filmes, livros. Podemos na parte de literatura, fazer um apanhado dos períodos literários de como era a situação da mulher, para que sempre que fosse trabalhada certa escola literária, a situação da mulher fosse falada. Minhas propostas dentro da pauta:

- Discussão de como e o que seria o material didático;
 Planos de aula e suporte para os conteúdos a serem trabalhados nas aulas de LP e literatura. Para as aulas de LP, podemos pegar textos, propor questões de analise linguística, e somado a isso falar da questão da mulher, propor projetos, trabalhos que possam fazer os/as meninos(as) pensarem e refletirem. Na parte de literatura, podemos fazer tópicos para serem comentados e abordados em cada período literário, de como era tratada a mulher na literatura e na sociedade. Essa parte da literatura eu vou ajudar a fazer.

- Estabelecimento de datas e ações.
Confesso que no final desse mês vai estar bem complicado pra mim, pq é final d bimestre, correção de prova, soma de notas .... Mas no começo de outubro, sugiro que ja podemos começar a produzir entre os grupos que ficaram responsáveis por cada parte, e acho que no  final do ano o material deve estar pronto. Acho também que podíamos lançá-lo oficialmente em algum encontro, pode ser da exnel ou não.

Débora:  Eu quero saber se vocês não acham que a gente tá atropelando e juntando tarefas. Ao meu ver, essa parada de material didático é importantíssima e poderia até ser um encaminhamento concreto no nosso encontro. Acho também que antes de fecharmos o seminário não deveríamos abarcar coisas que vão acabar comprometendo muito.Até porque o espaço de formação nos daria essa maturidade de, inclusive, sabermos quem somos, quantas somos, etc..

Cynthia: Por mais que eu acredite ser importante termos esse material o quanto antes, concordo com a Débora. Acredito que o seminário seja o espaço ideal para ainda discutirmos mais a fundo a produção do material, além de nos dar mais tempo para trabalharmos nele e em outras coisas do Coletivo também. Mas isso também não impede que a gente já se adiante um pouco no que pretendemos fazer, como, por exemplo, juntar ideias e conteúdo para incluir no material, alguns textos já prontos, para que a gente discuta no seminário e já tenha isso pronto antes do início do próximo ano, pois aí já temos o que disponibilizar no início das aulas no ano que vem.

Débora: Proponho que a gente priorize o seminário, marcando uma reunião o quanto antes, porque temos que correr atrás de uma data que contemple a maioria, temos que correr atrás de passagem, de ajuda de custo, de preparação do material de estudo do seminário.

Encaminhamentos:
- Adiar a criação desse material para ser discutido mais a fundo durante o seminário.

Estabelecimento de datas e ações

Raiza: Temos que fazer algo para agregar mais pessoas ao nosso coletivo feminista. Precisamos de apoio. Podíamos tirar como encaminhamento, por exemplo, que no dia 25 de novembro (dia internacional da não-violência contra a mulher) façamos uma roda de conversa na universidade.  Coisas do tipo, pra ir promovendo o debate e divulgando o coletivo feminista. Fica mais fácil de atuar quando não estamos sozinhas. Então, acho que rola de marcarmos as datas principais em que iremos atuar inicialmente e pedir ajuda aos centros acadêmicos pra tocar essas atividades. Depois acho que já teremos condições de tocar sozinhas. A temática seria violência contra a mulher (25 de novembro). Depois do debate, podíamos criar um texto e postar no blog, cada região tem uma especificidade a respeito disso, então acho que rola vários textos a respeito.

Encaminhamentos:
- Pensar em temáticas para discussão em datas importantes para o movimento feminista, com o apoio de textos e materiais e a ajuda dos Centros Acadêmicos
- Próxima reunião para discutir o encontro de formação: Domingo, 25 de setembro, às 20h.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sorria, você está sendo manipulada!



Raíza Wallace Guimarães da Rocha
Desde os primórdios desta sociedade do patriarcado capitalista não é difícil perceber a visão estereotipada que existe sobre o corpo e sexualidade feminina. Mas é no início do século XX que teremos uma nova visão sobre o corpo, pautada pela dinâmica social, sob a lógica de mercantilização da vida.

É a partir desse período que se fortalecem as práticas sociais de exploração para fins lucrativos do corpo feminino, onde a mercantilização resulta na exibição irresponsável da nudez e corpos idealizados para vender qualquer produto. Além de estabelecer padrões hegemônicos de beleza, levando as mulheres a buscar a perfeição e juventude eterna, ou seja um padrão inatingível, já que os modelos de beleza tornam-se perecíveis e efêmeros. 

Os métodos da ditadura da beleza e padrões comportamentais sob a mulher são os mesmos há séculos, só que adaptados a partir da lógica capitalista e ideologia neoliberal. Eles mudam segundo o tempo e ordem mercadológica. Antes o objetivo era que as mulheres conseguissem um bom casamento e permanecessem no espaço privado destinado a elas, hoje esse processo está sob a óptica consumista e continua perpetuando seus papéis relacionados ao mundo privado. O mercado passa a ter um papel incisivo na subordinação da vida destas mulheres. 

Agora que as mulheres estão no mercado de trabalho elas passam a valorizar e investir mais no seu corpo. Já que nesse mundo de competição a beleza ajuda a conquistar mais espaços ao preço de rígidas exigências de si. Ela precisa estar agradável aos olhos dos outros. Por tanto exige de si estar maquiada, magra e elegante o tempo inteiro, pois somente assim conseguirá ser feliz. 

Esse padrão corporal reflete o contexto sócio-econônimo, cultural e político do aparelho ideológico e da nossa sociedade, que se mostram controladores e opressores. Impondo a nós a ideia de que o nosso potencial está relacionado à forma, logo, a nossa forma corporal traduz quem somos. O nosso corpo passa a ser uma espécie de passaporte para felicidade. 
 

A indústria farmacêutica se confunde com a de estética e o resultado disso é a banalização de remédios, cirurgias, etc. que leva as mulheres a graves riscos de saúde: como bulimia, anorexia, depressão, consumo descontrolado de remédios, que enriquecem essas indústrias ao comercializar os produtos ditos “milagrosos” e outros para amenizar efeitos colaterais de possíveis sequelas. Garantindo assim um crescimento exponencial do consumo e produção dessas mercadorias. A incorporação desses ideais de beleza tornam o corpo um objeto de design a ser modelado sem muito esforço por parte da cliente.


O corpo mercantilizado da mulher sofre uma ampla exploração e é necessário que possamos refletir a respeito da autonomia do nosso corpo diante da ideologia neoliberal e lutarmos pelo pertencimento dele. Você não precisa ficar nesse ciclo de eterna insatisfação com o seu corpo. Não seja mais uma manipulada, boicote esses produtos e pessoas que se utilizam de um discurso machista e leviano em detrimento da exploração da imagem feminina. Liberte-se dessa lógica de mercado mecanicista e utilitarista. Somos mulheres e não mercadoria!


Raíza Rocha é estudante de Terapia Ocupacional, militante do Coletivo Feminista Conceição Evaristo e da Marcha Mundial de Mulheres.